julho 03, 2016

Rodrigo,




desde que fizeste seis anos que estou para te escrever. Não é que me faltem as palavras, os sentimentos, ou a emoção, mas acho que tenho estado absorvida nas imensas mudanças que te noto e nas que se avizinham. Não é só na roupa ou no tamanho dos teus sapatos que te meço o crescimento. É sobretudo nas conversas, no jeito esclarecedor com que dizes o que sentes, como te mostras desagradado, nas palavras estranhas que tentas enfiar, naturalmente, no teu discurso seguidas da inevitável pergunta "o que é que isso quer dizer, mãe?".
Estou em constante flasback entre o bebé minúsculo, frágil e tão querido que ainda ontem amparava nos meus braços, e o rapazola reguila e enérgico que hoje corre em frente aos meus olhos. As inseguranças que me envolviam há seis anos são, na sua essência, as mesmas que me assolam agora: como te dar o melhor de mim? como te proteger sem te enfiar numa redoma? como te passar os melhores valores para que sejas um adulto integro e feliz? como te educar dentro do equilíbrio da brincadeira e do respeito, do prazer da conquista e a angústia da perda, da liberdade e da diferença... a tua e a dos outros?
São tantas as dúvidas que aos meus olhos voltas a caber nas palmas das minhas mãos, não pesas nada, não dizes uma palavra, e ainda assim, (já) és o mundo para mim.



amo-te,

mãe











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